Andando por ai, sempre se extrai algumas palavras, que talves façam sentido, e talves me mostrem a loucura. Não vivo programado, simplesmente deixo-me viver e ando... Buscando as palavras que em mim nunca deixam de fluir.
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
Alquimia de pau!
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
Tua OraLção!
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Florida
Tenho visto sorrisos
Tenho tido abraços
Tenho recebido afetos.
OS romances decaem
Se quiser transo todos os dias
Mas não janto janto sempre sozinha
Mas não é por isso que deixo de ver flores
As vezes o mundo floresce onde menos imaginamos
Por isso poetizo a vida
Com as palavras eu faço chover
Como nas tardes frias de chuva
que assistia com minha vó A lagoa Azul
e comia bolinho de chuva açucarado.
Faço o dia nublar
Como naquela viagem ao seu lado
no RJ sempre louca de ácido
Mas tambem faço curar
como os abraços
de toda travesti que a mim sorri.
Aqui sou dona da minha história
Sou eu que furo
sou eu que falo
sou eu que xingo
você só escuta
Não valorize só os afetos que fodem
eles te fodem
Você ja percebeu o que eles fazem?
Levam toda sua energia
Levam todo seu aqué
Vc pára seus hormonios
Vc se afasta da sua própria vida
Não deixe
Não permita
Essa solidão toda pode ser solitude
Alie-se aos afetos que te deixa leve
Una-se as amigas que olham no olho
Traveke cas Trava
Só uma trava pode florescer outra.
sábado, 20 de junho de 2020
Você deixou
Depositou em mim suas frustrações
Depositou em mim sua Masculinidade fragil
Depositou em min seus sonhos nunca realizados
Depositou em mim sua sede por ser professor e fingir que ensina,
mesmo quanto não aprendeu nada
Você chegou na minha fragilidade e fez seu castelo
Colocou em mim sua casa e chamou de lar
Você fez um jardim
Colocou seus amuletos
E foi embora, pra que eu cuidasse sozinha.
Você colocou em mim uma vontade pela vida
E do nada trocou isso por uma vontade pela morte
Me desumanizou
Me tratou como não se trata uma pessoa
Cê achou que tava me fazendo bem
Quanto só ficava tudo bem, pq não havia a verdade
Você não conheceu a verdade
Não conheceu o amor
Você não soube conhecer o meu melhor
E me deixou o seu pior.
Mas sei que é fazendo merda que a gente aduba a vida
tudo isso que cê jogou em mim
Vou transformar em flor!
Pq diferente de vc
Eu planto vida
Planto esperanças
Eu dei amor!
terça-feira, 28 de abril de 2020
Erupção
Eu estou fervendo
Sabe esse lugar entre a boca do estomago e o coração?
é aí que ferve.
É como se fosse lava
Magma
Tudo que toco derreto
É aquela sensação da montanha russa quando desce
ou será quando sobe?
Não sei
mas é isso o dia todo.
Eu só queria um pouco de silencio
um pouco de paz
XIU
já inventaram paz pra travesti?
Eu jamais imaginei que estaria aqui
fazendo poesia pra minha hormonização
mas eu odeio essa sensação
me faz pensar o quanto me mudo
para ouvir o eco do meu reflexo no espelho
Pela sensação de paz com minha imagem
sinto que assim fico em paz comigo
Mas sempre que sinto o preço
me desespero
será que quero?
será que devo?
Será que é futilidade meu querer?
uma vez a Bibi disse
que a transição não deve ter um destino
ela acontece conforme estiver bom pra mim
Fico pensando o quanto tem me feito bem
mas sempre tenho esse receio
Se estou indo certa
se a resposta para todo meu barulho interno
tá no meu externo
Tenho refletido o quanto toda essa experiência é assustadora
Não é como se eu quisesse parar ou voltar
Até pq voltar pra onde?
Mas sempre me incomoda
ser tanto magma
ser tão descontrolada
Sou como as aguas das boyoceteras que
desagua somente em quem pode carregar
Sinto sempre que vivo um dilema
ou lido com meu barulho externo
ou com o interno.
Mas qual o preço?
Hormonio
não sei se é bem isso,
sinto que meu humor é um carro desgovernado numa montanha russa,
parece que tudo me afeta
logo eu, afetada desde que nasci
Tenho pensado em como me relaciono com o mundo,
mas será que é por aí?
É possível uma trava viver em paz?
Acho que sou uma montanha russa ingenua demais, para me auto governar.
Foi de tanto descarrilhar,
de tanto capotar,
de tanto desesperar, que aprendi a seguir em frente,
mas me pergunto o tempo todo, será que errei com algo que ficou lá atrás?
O que mantenho na mente é que preciso continuar a travekar,
continuar a descarrilhar
continuar a perlutar
Vou me Ciproteronar
Vou me estradiolizar
Vou me perlutar
Vou me hormonizar.
Eu sou aquilo que restou de uma briga entre o social, o biológico e o psiquico.
Eu sou fruto de uma briga
Sou ilha do desentendimento
Sou fruto da dissidência
Eu sou uma monstra
Sou fruto da coragem
Coragem essa que alimentei de medo
Fiz um refogado com o meu medo e dei de alimento pra minha coragem
Hoje quem causa medo, sou eu
Minguada de coragem
Mas jamais amedrontada.
Medo de Esperança
Outro dia um boy me entrelaçou nos seus braços
me fez desaguar em prazer
me beijou no pescoço
e eu surtei
Tantos foram os cortes na carne
Tantas foram as manchas na alma
Tantas vezes já me fizeram exatamente isso
Só pela segurança das 4 paredes e pelo frescor do gozo
Pois quando o sol nasce e eu piso na rua
Quem me acompanha é a lua.
A esperança nunca caminhou um quarteirão de mãos dadas comigo
Sabe quem dorme de conchinha comigo todos os dias?
Desde que nasci?
A solidão
Sabe quem me dá a mão na rua?
O desprezo.
Quem se importa quando a lágrima transborda
Quem chora quando a trava rola?
Quem se importa quando seu simples olhar me destroça?
Quando foi que teu feminismo abolicionista de gênero
cheio de putafobia, aceitou um currículo nosso?
Quando foi que teu radicalismo se importou com o sangue de nós
que vive numa esquina travestida?
Mas é obvio teu radicalismo bebeu de todo esse colonialismo.
Então não vem me dizer como a mulher que sou deve ser
Você não é
Você não foi
Cê nunca se importou
Só nos colonizou
Agora cê entende pq eu tenho medo de amor?
Por que isso tudo nunca me esperançou?
Suas ideias só me atrapalhou.
Eu sigo aqui assim
Todos os dias de punho cerrado
Maxilar travado
Pedindo a satanás que não seja hoje o dia de encontrar o cavaleiro do patriarcado
que vai encerrar a vida de mais uma transviada.
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Travesti é invasão
Nos minimizar
nos marginalizar
nos estigmatizar
Quem aqui nunca foi tirada de loka
tirada de puta
com pouca roupa
sentindo muita culpa?
Quem nunca escondeu a saia
Escondeu a barba
Já caiu na lábia
e anda armada?
Travesti é história
história de puta
história de luta
e a história das ruas
Como nossos corpos expostos
nas chacinas
nas revistas
será assim cazinimiga
Não entrem em panico
e abracem a razão
nós somos multidão
somos ocupação
travesti é invasão.
sábado, 27 de outubro de 2018
Poesia com o corpo.
Eu queria Sentir
Sem Ti
Eu queria sentir
Sem ti
E você? consegue sentir?
aquilo que toca sua pele?
aquilo que toca seu corpo?
já sentiu aquilo que toca seu coração?
alguém já quis tocar seu coração?
Eu queria sentir
mas as vezes eu não consigo
as vezes parece que é só ódio
é só apatia
é só desespero
é só angustia
eu não lembro o ultimo ano que eu
consegui dormir todas as noites.
O meu corpo já não aguenta mais
a minha mente já nem descansa
eu não lembro o ultimo ano
onde uma amiga não tivesse pensado em suicídio
Eu sou a resposta de tudo que me fizeram
eu tenho medo do toque de outra pessoa
eu não consigo abraçar apertado
eu não consigo sorrir sem me esforçar
eu não consigo confiar em outro corpo
Isso não é natural
as coisas não deveriam ser assim
eu sonho com um mundo onde travestis
não construam sua identidade em torno da exclusão
sentindo que são um mal estar social.
Você ainda não entendeu a arte de ser travesti
a gente carrega os assuntos mais pesados no corpo
os estigmas mais marcantes na mente
as perdas mais desumanas
nas curvas do corpo, na maquiagem na cara,
as vezes de salto alto e um fio dental bem aquendado
Travesti faz poesia com o corpo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Amem os corpos trans
Lembro daquele primeiro encontro
você me aquendando um padê
sentado na minha frente
me olhando a alma.
Não sorria
Não movia
Só me olhava
Desde que surgi trava
ninguém ainda havia ousado me olhar a alma
Você um homem de buceta
eu mulher de pau
ninguém esperava esse encontro
nos ensinaram a não nos aproximar
Amar nossos corpos
nossos corpos se amando
diziam que nossa existência era doença
fizemos dessa loucura a nossa cura
Quando meus lábios carnudos
encosta nos seus grandes lábios
e minha língua toca o seu sexo
sinto que estou exatamente no lugar certo
Quando seu corpo trans
encosta no meu corpo trans
tenho a certeza que não nasci no corpo errado
eu amo nossos corpos trans viado
Se eu pudesse te ensinar algo
irmãos e irmãs
é amem os corpos trans
e jamais se curvem para um macho
Não há nada de erado com quem somos
Se te querem viva te querem trans.
somos a cura
a resistência
a nossa união é o inicio dessa revolução
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Mulher de Pau
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Eu me importo, sim!
Disse que me amava
Que eu precisava me enxergar com seus olhos
Pegou na minha mão
E me levaria até o próximo passo
No meio do caminho
Largou minha mão
E me deixou na estrada sozinha
Que se foda
Eu sobrevivi a tudo que me fizeram
E tudo que fiz
Foi destruir os sonhos que me ajudaram a construir
Se hoje estou viva
É porque apreendi a fingir que não me importava
Até parar de me importar.
quinta-feira, 15 de março de 2018
O que a rua criou!
Eu lembro que desde muto cedo
tomava tapa na cara
Pela forma que me movia
Acho que era minha feminilidade
um crime grave, mesmo se você tiver pouca idade
Com 6 anos
Sonhava em cortar meus pulsos na laje
Cresci atordoada
Amedrontada
Aprendi desde muito cedo que o preço da minha vida
era o meu silêncio
Aceitei tudo que me deram
Foi Jesus
Foi dízimo
Até cura gay eu tentei
Tudo isso só me encheu de medo, vergonha e ódio, muito ódio
Você sabe o que é crescer assim?
Abraçada aos sentimentos mais destrutivos!?
Eu era uma criança
Cresci apanhando
Cresci com medo
Cresci fugindo de mim mesma
e me escondendo descobri todas nós
As marginais
Um dia minha mãe falou, você é a porra de um maloqueiro
mas cê me jogou na rua, agora aguenta o que a rua criou
o medo e o ódio a gente transformou em estratégia e sagacidade
De tanto apanhar na cara, aprendi a socar
Meus esconderijos é onde monto meu bonde
O nosso extermínio é tudo o que eles querem
E será tudo que não terão
Nenhuma de nós vai continuar sangrando
Nos verão de pé
Nos verão rindo
Nos verão cheias de prestígio
Não serão mais nossos corpos no chão
Não espere mais paz
A paz mora no silêncio
E nois tá com a boca cheia de ideia pra acabar com seu XIU, com seu PSIU.
Então fica esperto na rua
pois esse mundo também é nosso
e não iremos nos retirar
vocês não vão nos exterminar
cê não dobra uma esquina, se a gente não deixar.
As trava cresceu, bebê
Agora vai ser com a gente
ou não vai ser.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
ProblemEU
sempre sou EU que não gosto
sempre sou EU que me incomodo
sempre sou EU que me sinto excluído
sempre sou EU que sinto que não faço parte
sempre sou EU que achei que alguém estrapolou os limites.
sempre sou EU que reclamo.
parece que se eu não tivesse ali
ninguém perceberia nada.
parece que sou EU que vim quebrado de fábrica.
domingo, 20 de agosto de 2017
Hoje eu cansei.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Amor Cura?
No chão tem nossos discos
As paredes nossos retratos
Na cama fluidos do nosso amor
Aqui dentro era calma
Hoje só me deixou dor
Aqui dentro era afeto
Hoje só deixou solidão
Aqui onde era quente
Hoje tá muito frio
Não dizem que o amor cura?
Vou me amar.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Do topo da montanha!

Ciumes é errado, pegam uma teoria e enfiam ela em um viés super viciado e te dizem que você não tem o direito e que isso é opressivo, pronto temos umas das primeiras lei da não-monogamia, mas eu te pergunto será mesmo que o que te dói é ciumes?
sábado, 13 de agosto de 2016
A paz sobe pra mente, torpe e sente.
Umas angústia
Um gole
Uma lágrima
Mais um trago
Você nunca vai ser nada menino viado
Olha teu jeito mulher de ser
Mulher de ser
Mulher de ser
Balancei mais uma vez a lata e minha cabeça repousou na paz de mais um entorpecente.
Levantei e limpei mais uma lágrima
Engoli seco
Amarrei o cabelo que caia sobre os olhos
E coloquei mais uma máscara
Para andar por aí
Por ali
Por aqui
Vai que eu me acho!
terça-feira, 9 de agosto de 2016
O saboroso gosto do ódio.
amava com os olhos,
aprendi que a cordialidade me fazia ter “amigos”,
os meus bom dias,
rir das piadas contra mim,
dizia, não me importo, afinal eu não sou.
Amar foi o que me ensinaram,
em meio às surras eu tinha que amar,
em meio à violência doméstica tive que amar,
quando apanhava na cara,
eu tinha que amar.
Amei,
me doei,
servi como ato de amor,
cedi por amor,
dizia eu te amo,
por amor.
Um dia, achei que o amor voltaria.
Falei tudo sobre mim,
afinal, não amava mais como inocente,
amava coerente,
não amava mais biblicamente,
amava amadurecendo.
Nesse dia recebi de volta o não-amor,
me xingou,
me bateu,
me odiou,
chorou e tentou me culpar,
No dia que surgi, amável
recebi o ódio,
pois o que eu sou, não merecia amor,
não merecia compreensão,
não merecia sorrisos.
Olhei pra trás e vi que sempre amei,
mas nunca fui amado de volta,
e quando fui, não era pra mim, era outro eu
vi que me aliei a quem nunca me abraçou,
vi que quem me amava,
era odiado também.
Meu ódio é o único ato de repulsa,
de protesto,
de oposição,
de lucidez que ainda posso ter,
contra meus odiadores.
Dizem para eu perdoar,
dizem para eu deixar pra lá,
dizem que não são culpados,
mas se não são, quem é?
Meu jeito?
Minha forma de viver?
Meu jeito de falar?
Meu jeito de se vestir?
Isso tudo sou EU.
Eu culpado?
Perdão é para quem no minimo reparou a questão,
perdão é para quem não foi culpado de nada grave,
perdão o perdão é cristão,
eu não,
o perdão é paz,
eu não tenho,
o perdão é branco,
e o branco não é paz,
o branco é sinismo.
Omissão,
neutralidade,
o branco não sou eu,
a culpa não me cabe.
Meu ódio não nasceu comigo,
foi plantado,
regado,
cultivado,
mas ninguém quer colher.
Meu ódio é a única parte que ainda protesta,
meu ódio é o único que ainda grita, não esqueci,
meu ódio é a única energia que ainda pode reparar,
reparar a mim.
Meu ódio é o único que não vai me silenciar,
a paz, o perdão, sim esse é o silencio,
silencio de quem?
silencio pra quem?
Silencio por que?
Silêncio não me protege,
nunca protegeu.
Então não me peça para perdoar,
não me peça para desculpar,
não me peça para reconciliar,
não me diga para ficar em silencio,
não sou capaz disso,
não mais,
não depois de tudo.
O ódio pode ser um veneno,
pode até me fazer mal,
quem sabe me matar,
mas não sou dessas que faz silencio com medo da morte.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Perdido no caminho.

Disse que era o fim, queria terminar