Andando por ai, sempre se extrai algumas palavras, que talves façam sentido, e talves me mostrem a loucura. Não vivo programado, simplesmente deixo-me viver e ando... Buscando as palavras que em mim nunca deixam de fluir.
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Travesti é invasão
Nos minimizar
nos marginalizar
nos estigmatizar
Quem aqui nunca foi tirada de loka
tirada de puta
com pouca roupa
sentindo muita culpa?
Quem nunca escondeu a saia
Escondeu a barba
Já caiu na lábia
e anda armada?
Travesti é história
história de puta
história de luta
e a história das ruas
Como nossos corpos expostos
nas chacinas
nas revistas
será assim cazinimiga
Não entrem em panico
e abracem a razão
nós somos multidão
somos ocupação
travesti é invasão.
sábado, 27 de outubro de 2018
Poesia com o corpo.
Eu queria Sentir
Sem Ti
Eu queria sentir
Sem ti
E você? consegue sentir?
aquilo que toca sua pele?
aquilo que toca seu corpo?
já sentiu aquilo que toca seu coração?
alguém já quis tocar seu coração?
Eu queria sentir
mas as vezes eu não consigo
as vezes parece que é só ódio
é só apatia
é só desespero
é só angustia
eu não lembro o ultimo ano que eu
consegui dormir todas as noites.
O meu corpo já não aguenta mais
a minha mente já nem descansa
eu não lembro o ultimo ano
onde uma amiga não tivesse pensado em suicídio
Eu sou a resposta de tudo que me fizeram
eu tenho medo do toque de outra pessoa
eu não consigo abraçar apertado
eu não consigo sorrir sem me esforçar
eu não consigo confiar em outro corpo
Isso não é natural
as coisas não deveriam ser assim
eu sonho com um mundo onde travestis
não construam sua identidade em torno da exclusão
sentindo que são um mal estar social.
Você ainda não entendeu a arte de ser travesti
a gente carrega os assuntos mais pesados no corpo
os estigmas mais marcantes na mente
as perdas mais desumanas
nas curvas do corpo, na maquiagem na cara,
as vezes de salto alto e um fio dental bem aquendado
Travesti faz poesia com o corpo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Amem os corpos trans
Lembro daquele primeiro encontro
você me aquendando um padê
sentado na minha frente
me olhando a alma.
Não sorria
Não movia
Só me olhava
Desde que surgi trava
ninguém ainda havia ousado me olhar a alma
Você um homem de buceta
eu mulher de pau
ninguém esperava esse encontro
nos ensinaram a não nos aproximar
Amar nossos corpos
nossos corpos se amando
diziam que nossa existência era doença
fizemos dessa loucura a nossa cura
Quando meus lábios carnudos
encosta nos seus grandes lábios
e minha língua toca o seu sexo
sinto que estou exatamente no lugar certo
Quando seu corpo trans
encosta no meu corpo trans
tenho a certeza que não nasci no corpo errado
eu amo nossos corpos trans viado
Se eu pudesse te ensinar algo
irmãos e irmãs
é amem os corpos trans
e jamais se curvem para um macho
Não há nada de erado com quem somos
Se te querem viva te querem trans.
somos a cura
a resistência
a nossa união é o inicio dessa revolução
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Mulher de Pau
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Eu me importo, sim!
Disse que me amava
Que eu precisava me enxergar com seus olhos
Pegou na minha mão
E me levaria até o próximo passo
No meio do caminho
Largou minha mão
E me deixou na estrada sozinha
Que se foda
Eu sobrevivi a tudo que me fizeram
E tudo que fiz
Foi destruir os sonhos que me ajudaram a construir
Se hoje estou viva
É porque apreendi a fingir que não me importava
Até parar de me importar.
quinta-feira, 15 de março de 2018
O que a rua criou!
Eu lembro que desde muto cedo
tomava tapa na cara
Pela forma que me movia
Acho que era minha feminilidade
um crime grave, mesmo se você tiver pouca idade
Com 6 anos
Sonhava em cortar meus pulsos na laje
Cresci atordoada
Amedrontada
Aprendi desde muito cedo que o preço da minha vida
era o meu silêncio
Aceitei tudo que me deram
Foi Jesus
Foi dízimo
Até cura gay eu tentei
Tudo isso só me encheu de medo, vergonha e ódio, muito ódio
Você sabe o que é crescer assim?
Abraçada aos sentimentos mais destrutivos!?
Eu era uma criança
Cresci apanhando
Cresci com medo
Cresci fugindo de mim mesma
e me escondendo descobri todas nós
As marginais
Um dia minha mãe falou, você é a porra de um maloqueiro
mas cê me jogou na rua, agora aguenta o que a rua criou
o medo e o ódio a gente transformou em estratégia e sagacidade
De tanto apanhar na cara, aprendi a socar
Meus esconderijos é onde monto meu bonde
O nosso extermínio é tudo o que eles querem
E será tudo que não terão
Nenhuma de nós vai continuar sangrando
Nos verão de pé
Nos verão rindo
Nos verão cheias de prestígio
Não serão mais nossos corpos no chão
Não espere mais paz
A paz mora no silêncio
E nois tá com a boca cheia de ideia pra acabar com seu XIU, com seu PSIU.
Então fica esperto na rua
pois esse mundo também é nosso
e não iremos nos retirar
vocês não vão nos exterminar
cê não dobra uma esquina, se a gente não deixar.
As trava cresceu, bebê
Agora vai ser com a gente
ou não vai ser.